Criando um novo canal para conectar consumidores e amantes do esporte
Prazo cortado de 12 para 9 meses, com escopo fechado pela matriz. O App Nike Brasil foi ao ar completo, como o primeiro canal de vendas mobile da Nike na América Latina.
Problema
A Nike vendia no Brasil por loja física e site e não tinha app próprio de vendas em nenhum país da América Latina. O Brasil lidera o mundo em horas diárias dentro de aplicativos, mas desinstala app na mesma velocidade em que baixa.
O escopo vinha fechado pela Nike Inc., e a operação local precisava do canal para sustentar 44 lojas até o fim de 2023. No meio do desenvolvimento, o prazo caiu de 12 para 9 meses. E o cliente vetou teste com usuário para proteger o sigilo do lançamento.
Colocar a jornada de compra completa no ar em 9 meses, sem devolver escopo para a matriz.
Decisão
Insistir no teste com usuário real. É o único método que revela intenção, e é aí que mora o risco de um produto novo. Caiu porque o cliente vetou qualquer teste com usuário antes do lançamento, para proteger o sigilo.
Rodar sessões de teste internas, com o próprio time. Cabia no sigilo e não dependia de ninguém de fora. Caiu porque não cabia no prazo. Recrutar, rodar e consolidar as sessões custaria semanas que o cronograma cortado de 12 para 9 meses não tinha.
Avaliação técnica com olhos de fora. Rodei a avaliação heurística em grupo e convidei designers que não estavam no projeto, porque eu estava imerso e podia deixar passar o óbvio. Depois vieram o teste de acessibilidade (leitor de tela, contraste de cor e critérios da WCAG) e o QA de design, catalogado por severidade.
As sessões de teste de usabilidade internas e, com elas, qualquer leitura de intenção antes do lançamento. Avaliação técnica pega inconsistência, desvio de padrão e barreira de acesso. Não pega se a pessoa entendeu o que era para fazer ali.
O app iria ao ar sem que nenhum usuário real tivesse percorrido a jornada. Se houvesse um problema de compreensão no fluxo de compra, ele só apareceria com o produto público, em cima do tráfego de lançamento.
A rodada em grupo trouxe achados que eu não enxergava de dentro, como navegação travada entre entrega e pagamento no checkout, endereço truncado no resumo do pedido, além de contraste e área de toque fora do padrão. Tudo catalogado por severidade, com responsável e prazo.

Consequência
O escopo inteiro foi ao ar em 9 meses, sem devolver nada à matriz. A decisão que explica isso é o faseamento por hipótese. Com o prazo cortado em 25% e o escopo fora de negociação, a ordem virou a única alavanca real.
A intenção ficou sem cobertura. A jornada foi ao ar sem ninguém de fora ter testado, e a rede de segurança que montei não alcança isso. A heurística pega inconsistência, a acessibilidade pega barreira de acesso e o QA pega desvio de especificação. Nenhuma das três responde se a pessoa entendeu o que era para fazer ali.
Levaria para a mesa, antes de montar a cobertura alternativa, a proposta de testar com um grupo pequeno sob NDA, usando um fluxo sem marca aparente para preservar o sigilo.

Evidências
